Esse fim de semana eu, Jaciara, fui visitar a CASACOR Santa Catarina em Balneário Camboriú, e ainda estou processando tudo que trouxe de lá. Não vim escrever sobre tendências, vocês sabem que aqui na Dolce a gente não segue elas, já que os nossos produtos são pensados para atravessar anos sem perder sentido. Vim, sim, compartilhar o que observei, o que senti, e principalmente onde reconheci a nossa própria linguagem de design espalhada pelos ambientes.

 

A mostra deste ano é sediada no Pericó Residence, o primeiro residencial temático do vinho do Brasil, e reúne cerca de 30 ambientes assinados por profissionais de Santa Catarina e de outras partes do país. O tema nacional de 2026 é Mente e Coração: a ideia de que a mente organiza e planeja, enquanto o coração acolhe e conecta, e que a casa hoje precisa dar conta dos dois lados: ser abrigo funcional e também refúgio emocional num mundo saturado de estímulo e tela. Confesso que, antes de visitar, já suspeitava que esse tema ia conversar demais com o que a gente acredita, e conversou mesmo.

 

O que mais chamou minha atenção nos ambientes

Formas orgânicas e materiais que contam a própria história

Curva em vez de esquadro. Foi essa a sensação predominante andando pelos ambientes: linhas suaves, móveis que abraçam o corpo, cabeceiras arredondadas, texturas que não escondem a origem natural do material. Pedra, madeira e fibra apareceram lado a lado com muito protagonismo — nada de imitação, tudo assumindo a própria imperfeição como valor.

É basicamente a definição do que fazemos com o vime na Dolce Alba: valorizar o material em sua forma mais honesta, deixando a trama, a textura e até as pequenas variações do trançado artesanal serem parte do design, não um detalhe a esconder.

 

Memória e afeto dentro de casa

Um ponto que me tocou especialmente foi ver, em mais de um ambiente, o resgate de peças com valor afetivo, objetos que carregam memória de família, de outra casa, de outra fase da vida, reposicionados dentro de projetos completamente atuais. Isso é exatamente o oposto de decorar por decorar. É reconhecer que uma casa boa não é só bonita, ela guarda histórias.

Acho que é por isso que a gente sempre insiste tanto, aqui na marca, em peças feitas à mão: elas carregam o gesto de quem fez, e isso já é memória, mesmo antes de entrar na sua casa.

 

Iluminação indireta, generosa e nunca protagonista sozinha

Em quase todos os ambientes, a luz direta e forte deu lugar a uma iluminação mais indireta, várias fontes pequenas e suaves em vez de um ponto único e ofuscante. É uma escolha que muda completamente a sensação de um espaço: menos vitrine, mais aconchego.

 

Verde em lugares inusitados

As plantas apareceram em quantidade generosa, mas o que mais me surpreendeu foi onde. Não só nos cantos óbvios, mas no centro de mesas de jantar, em vasos grandes ocupando espaço de destaque, criando volume onde normalmente a gente colocaria um objeto decorativo qualquer. O verde virou parte da composição central dos ambientes, não um acabamento.

 

Ambientes integrados, sem fronteiras rígidas

A integração entre os espaços também foi uma constante: estar, jantar e às vezes até a área externa se misturando sem paredes marcando onde um cômodo termina e o outro começa. Isso reforça bastante a ideia de casa como fluxo contínuo, e não como uma sequência de cômodos isolados.

 

Preto, bronze e ouro velho nos metais

Depois de alguns anos de metais dourados brilhantes por toda parte, vi uma virada clara para tons mais sóbrios: preto fosco e bronze ou ouro velho envelhecido, aplicados com parcimônia em torneiras, puxadores, estruturas. É uma escolha que dá sofisticação sem gritar.

 

Armários à mostra, texturas por toda parte e tons claros

Outro ponto interessante: armários abertos, tipo arara de metal e vidro, expondo roupas e objetos pessoais como parte da decoração, uma forma de dizer "quem mora aqui" sem precisar de palavras. E o ripado, canelado e outras texturas apareceram em quase tudo: pedra natural, vidro, madeira, não só em portas e divisórias, mas também em luminárias e até revestindo paredes inteiras, sempre com muito acabamento, nunca de forma bruta.

A paleta de base, no geral, ficou nos tons claros, servindo de tela neutra para esses detalhes mais escuros e texturizados se destacarem.

 

Bouclé em destaque

Se teve um tecido que dominou a mostra, foi o bouclé. Encostos, poltronas, almofadas, a textura granulada apareceu em praticamente todo ambiente com estofado, sempre em tons claros, reforçando essa sensação tátil e aconchegante que conversa direto com o tema da mostra.

 

Multifuncionalidade com inteligência

Um detalhe de design que me impressionou foi no Living Raízes do Sentir, da designer Jeane Silva: um sofá que, na parte de trás, se transforma em um banco com espaço de armazenamento acoplado. Ou seja, a mesma peça resolve dois problemas de layout ao mesmo tempo, sem parecer um móvel "multifuncional" no sentido genérico. Parecia, de fato, pensado para a vida real de quem mora ali.

 

Loft Acalento: quando um ambiente fala a nossa língua

Se teve um ambiente que me fez sorrir sozinha no meio da visita, foi o Loft Acalento, da Augen Arquitetura. A cabeceira modular ali dialogava direto com luminárias artesanais muito próximas do que a gente trabalha na Dolce: peças que iluminam e ao mesmo tempo funcionam como escultura na parede, valorizando o trançado e a sombra que ele projeta. Foi o momento da mostra em que mais me senti "em casa", literalmente reconhecendo nossa proposta de design em outro contexto, através dos olhos de outro profissional.

 

O que senti falta: mais imersão em cada história

Amei a mostra e sinto que ela conectou muito bem com a proposta de Mente e Coração deste ano. Mas em alguns ambientes senti falta de um envolvimento maior com a atmosfera que o arquiteto queria criar. Alguns projetos usaram muito bem o marketing olfativo a seu favor, e o que mais me marcou nesse sentido foi a Casa Âmago, da arquiteta Mariana Maïsonnave — um ambiente pensado como convite à pausa e à desaceleração, onde o cheiro do espaço já te avisava, antes mesmo de olhar em volta, que ali era para ficar em silêncio.

Faltaram, no entanto, mais desses pontos sensoriais espalhados pela mostra: uma playlist exclusiva por ambiente, por exemplo, ou, o que mais senti falta, pessoas na recepção de cada espaço que realmente soubessem transmitir o porquê de cada escolha. Como designer, tenho muita curiosidade por esses detalhes: por que aquela pedra ali, por que aquela curva, por que aquele objeto no centro da mesa. Em alguns ambientes, quem estava recebendo o público não sabia responder, e isso quebra um pouco a experiência — em vez de viver a história do projeto, você acaba só passeando pelo espaço.

 

O que essa visita confirmou pra Dolce Alba

No geral, saí de lá muito inspirada e com uma certeza a mais: o caminho de design que seguimos na Dolce Alba não é modismo, é consistência. Linhas orgânicas, materiais naturais, peças com alma e feitas à mão, iluminação que acolhe em vez de ofuscar. Tudo isso que vimos espalhado pela mostra deste ano é o que a gente já trabalha desde sempre, produto após produto.

 

Se você também foi visitar a CASACOR SC este ano, me conta lá no Instagram o que mais te marcou. E se ficou com vontade de trazer um pouco dessa atmosfera pra sua própria casa, dá uma olhada na nossa coleção de peças artesanais de vime. Talvez a gente já tenha aquela peça que faltava no seu ambiente.